Em Curitiba
Estamos em Curitiba.
Depois de mais de 11 mil e tantos quilômetros, e outros tantos quilos de poeira, voltamos à nossa terra natal.
Na verdade chegamos faz alguns dias, mas a preguiça nos impediu de postar esta informação antes.
Acompanhem nas próximas semanas a postagem de mais fotos e – se Deus quiser – vídeos e desenhos. também queremos dar mais detalhes da viagem, como o roteiro pretendido e o que foi de fato realizado, dicas para viajantes, mapas, etc..
A próxima etapa é tomar cerveja com aqueles que estavam com saudade da gente. alguém? alguém?
PS: alguém quer comprar pesos uruguaios?
André Amorim
Viajar
“Hoje entendo bem meu pai. Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livro ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar do calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece, para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como imaginamos e não simplesmente como ele é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”. Almyr Klink
Minha mulher recebeu esta frase e me encaminhou, se é mesmo do Almyr Klynk não sei, mas concordo plenamente.
André Amorim
CHAME O LADRÃO !!
Nosso primeiro contato com a famigerada polícia corrupta da província de Entre Rios, na Argentina.
Começamos o dia sendo roubados em um restaurante de parrilla ao ar livre, que nos cobrou uma fábula por coisas que supostamente deveriam estar incluídas no preço da refeição.
Eis que logo depois de cruzar as pontes do Delta do Rio Paraná fomos parados por um policial que alegou estarmos em velocidade acima do permitido. Jack, o condutor, foi levado a uma salinha onde o comandante do local (fumando e tomando chimarrão) disse que a multa para tal infração custaria a fábula de $ 2.800,00 pesos argentinos (mas poderia ser negociada com 25% de desconto). Jack ofereceu $ 300,00, mas não dobrou o sujeito.
De volta ao carro, reunimos, entre reais e pesos, cerca de $ 1.030,00 (500 reais !!), valor que foi considerado adequado pelo oficial argentino.
Já haviamos sido alertados através da internet sobre a polícia corrupta de Entre Rios. Apesar de termos sido sempre bem tratados nos 20 e tantos dias que passamos na Argentina, este fato causou em todos um sentimento de raiva àquele pais. Não demoraria muito arrancarmos com ódio o adesivo da bandeira argentina que haviamos colado no carro.
Para coroar este dia, encontramos a pior cabaña de toda expedição. Não bastasse o que parecia ser vómito de gato na pia suja da cozinha, as teias de aranha e o pó, este foi o local com maior concentração de mosquitos hematófagos que já encontramos.
Férias
Fomos para San Antônio Oeste. Pelo caminho nos deparamos com uma fila imensa para abastecer, foi a primeira vez que tivemos que usar os 10 litros de diesel que levavamos em um galão na traseira da caminhonete. Ficamos num hotelzinho estilo praiano, no computador o Diogo analisou as distâncias que teriamos que percorrer nos próximos dias.
Decidimos ir ir para uma cidade chamada Trenque Lauquen, uma boa escolha, pois lá chegando encontramos uma bela cabaña com piscina, churrasqueira e um preço modesto. Pela primeira vez nos sentimos em férias, até então todas as direções apontavam para Torres del Paine.
Preparamos um belo churrasco e ficamos conversando, bebendo vinho e vendo as estrelas, o tal Céu da Patagônia.
Dos andes ao mar
Vimos o mar pela primeira vez, na estrada para Comodoro Rivadávia. Cenário lindo. Só não foi um alento total às saudade do Brasil porque a paisagem pedregosa não lembra muito as nossas praias. O cheiro da maresia e o barulho da água escorrendo pelas pedras é bem diferente. Mas foi um deleite coletivo molhar os pés e deitar na orla.
Chegando à cidade, jantamos no terceiro restaurante tocado por chineses (O 2º chamava Chino, este chamava Três Chinos) e dormimos num hotel na boca do lixo.
A volta
Iniciamos o caminho inverso da nossa aventura. Pela manhã tomamos um café magro, pois resolvemos comer os pães com a sopa do dia anterioir e não poupar biscoitos durante a tarde (culpa do Amorim). Depois de desmontar as barracas e carregar nossos lombos, descemos até onde estava estacionado o veículo. Pelo caminho guardamos paisagens que levaremos para a vida toda.
No estacionamento do hotel reencontramos o casal multiracial britânico (ele inglês, ela indiana), que pensa em se mudar para o Brasil. Descansamos os pés, comemos alguma coisa e por volta das 14h30 já estávamos na estrada a caminho de Cerro Castillo, que mostrou-se uma bela cidade fantasma.
Na aduana chilena na fronteira com a Argentina nos encheram o saco com a falta de um documento para o carro, que deveria ter sido nos dado na aduana chilena de entrada (aquela do Raio-X), mas não foi.
Resolvida a questão, partimos para Rio Galegos, na Argentina, onde tivemos um jantar farto num restaurante tocado por chineses (o 2º na aventura) e dormimos num hotelzinho pretencioso chamado Paris.
Torres del Paine – 2º dia

Acordamos (aqueles que conseguiram dormir) e nos deparamos com o camping quase vazio e uma cena surreal: um cervo passando lentamente entre as barracas. Com mais espaço disponível levamos nossas barracas para um local mais plano e isolado. Depois de tomar um café com bolacha, fomos para o mirador das torres, uma caminhada extremamente inclinada, que cansou quase tanto quanto a travessia até o acampamento, com a diferença de que desta vez estavamos sem nossas pesadas mochilas.
A energia despendida valeu a pena, do mirante podiamos avistar as três torres e logo abaixo uma pequena lagoa formada pela água do degelo. Ficamos algumas horas por lá admirando e tirando fotos.
De volta ao acampamento improvisamos com nosso fabuloso fogareiro MSR um almoço dos campeões: arroz, atum e um molho de brocolis que o Diogo negociou com umas israelenses que estavam indo embora. Depois da refeição, Amorim, Diogo e Jack comeram um doce de sobremesa e ficamos o resto da tarde curtindo o local.
Na volta pra barraca encontramos um casal britânico acampado ao nosso lado. Ficamos conversando com eles, tomando chá e sopa de macarrão. O clima no parque é multiétnico e totalmente cosmopolita, com gente de vários países diferentes conviendo lado a lado.


Torres del Paine – a chegada

Desmentida a notícia de que não conseguirimos cruzar a aduana chilena, partimos de Rio Turbio para o Parque de Torres del Paine. Na verdade foi uma travessia tranquila na aduana, apenas demorada, pois tivemos que pela 1º vez passar toda nossa bagagem (que não é pouca) pelo Raio-X.
Antes do parque, passamos na cidade chilena de Puerto Natales para comprar mantimentos. Entramos em Torres del Paine por volta das 17 horas. O bom da Patagônia no verão é que o sol se põe por volta das 23 horas e nasce as 4 da manhã. Passamos em um posto para nos informar da rota e pegar um mapa.
Para entrar é cobrada uma taxa de 150.000 pesos chilenos, ou 150 argentinos. Deixamos o carro no estacionamento do Hotel Torres, dentro do parque, e iniciamos uma longa caminhada até o local de acampamento.
A intensidade da caminhada nos surpreendeu, achavamos que iria ser muito mais plano, mas tivemos que que atravessas uma montanha para chegar ao acampamento chileno, que é pago. De lá partimos para mais 1 hora de caminhada intensa até o acampamento torres, que é gratuíto e bem mais amplo que o chileno. Armamos nossas barracas com a luz da lanterna, pois o sol tardio da patagônia já havia desaparecido. A primeira noite foi de cão, com frio intenso e barracas armadas em um desnível que não deixava ninguém se ajeitar.
Tudo isso, é claro, foi compensado pelo cenário maravilhoso que é Torres del Paine.

O majestoso Fitz Roy

Acordamos em El Chalten e uma senhora que cuida das cabañas onde estáamos (não a com cara de maluca) nos convenceu a fazer um passeio no Fitz Roy, que a princípio iamos apenas ver de longe. Valeu muito a pena, pois fizemos uma caminhda linda e que serviu como aperitivo e prévia do que encontrariamos em seguida, em Torres del Paine.
Fizemos uma caminhada leve (3 horas no total), até o lago capri, de onde pudemos avistar o Fitz Roy. A beleza da aventura só foi perturbada por moscas gigantes (na verdade butucas), como as encontradas no vulcão em Pucon, que nos molestaram do início ao fim.
De volta ao solo, comemos novamente no local da noite anterior. Esta seria nossa última refeição decente por dias.
De El Chalten partimos para Rio Turbio, quase na fronteira com o Chile, onde estariamos perto do parque de Torres del Paine. No caminho passamos em El Calafate para fazer câmbio de moedas. Demoramos mais do que esperávamos, pois a casa de câmbio só abria após as 17h30. Consenso geral, El Calafate foi odiada por todos.
Chegando em Rio Turbio, recebemos a notícia de que a aduana chilena estaria fechada, um banho de ágfua fria nos valentes aventureiros. Chegou-se a cogitar a hipótese de dar meia volta e retornar a Curitiba. Felizmente, no dia seguinte, ainda no hotel, encontramos uma funcionária da Aduana argentina que desmentiu a notícia.
Rípio de arrepiar

Saímos cedo de Perito Moreno em direção a El Chalten, cidade onde está a fabulosa montanha Fitz Roy. Pelo caminho pegamos o trecho mais pesado da Rota 40, quase sem asfalto. Nesses trechos o rípio é perigoso, pois as pedras podem quebrar o parabrisa (uma lascou o nosso) e fazem o carro bailar.
Pelo caminho encontramos os primeiros exemplares da fauna patagônica: guanacos (uma espécie de lhama menos peluda), emas e zorros (cachorros do mato semelhantes a raposas). Pelo caminho encontramos diversas carcaças de zorros penduradas nas cercas sem a pele. Depois entendemos que a pele é retirada para vender, quem nos contou foi uma senhora de uma estância ao lado do Lago Cardiel (Estância Sibéria), cujo marido ganha a vida caçando zorros e pumas, que apavoram os fazendeiros da região pois matam ovelhas e outros animais. Ela nos mostrou uma pele de puma que estava sendo curtida para a venda e também nos contou que o Lago Cardiel é um dos únicos do mundo que náo tem fundo (!!). Segundo ela, já vieram cientistas de outros países para analisar o fenômeno que só ocorreria ali e em um lago na Coréia. Se é verdade ou não não sabemos, até porque ela quis nos cobrar 20 pesos para podermos ir ao lago.
Chegando em El Chalten, pegamos logo uma cabaña na entrada da cidade. O lugar é lindo, extremamente voltado ao turismo de montanha do pujante Fitz Roy. Já a mulher que nos alugou a cabaña parecia saída de um filme do Tim Burton, pois aparentemente desistiu de escovar os dentes e lavar o cabelo.
Jantamos muito bem, em um local que certamente está entre os 5 mais da expedição, copm direito a couvert de vinagrete de feijões brancos e super massas e milanesas.












